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Wegovy em comprimido: Anvisa aprova, mas preço falta

Anvisa aprovou o Wegovy em comprimido para obesidade. Veja quem pode usar, o que muda em relação à caneta e o que falta para chegar às farmácias.

Resumo rápido

  • A Anvisa aprovou, em 4 de novembro, o Wegovy em comprimido, da Novo Nordisk, para adultos com obesidade ou sobrepeso.
  • É o primeiro remédio oral da classe dos agonistas de GLP-1 liberado no Brasil para essa finalidade.
  • O comprimido é diário, tomado em jejum, e traz 25 mg de semaglutida na dose de manutenção.
  • Ainda não há preço nem data de lançamento: falta a CMED definir o preço máximo.
  • As fontes não informam se planos de saúde vão cobrir o comprimido.

O que a Anvisa aprovou para o Wegovy em comprimido?

A Anvisa aprovou, em 4 de novembro, o registro do Wegovy em comprimido, da Novo Nordisk, para adultos com obesidade ou sobrepeso. É o primeiro remédio oral da classe dos agonistas de GLP-1 liberado no Brasil para essa finalidade.

Agonistas de GLP-1 são medicamentos que imitam um hormônio do intestino. Esse hormônio é liberado depois das refeições e avisa o cérebro de que o corpo já recebeu comida. O princípio ativo do comprimido é a semaglutida, o mesmo da caneta emagrecedora.

A decisão saiu no Diário Oficial da União, pela Resolução 4.249/2026, segundo a BBC News Brasil. A Novo Nordisk pediu o registro em 30 de janeiro de 2026. Até agora, o tratamento com semaglutida para perda de peso no país dependia de aplicações semanais com caneta, segundo o Bahia Notícias.

Já existe no país outro comprimido com semaglutida: o Rybelsus, fabricado pela Novo Nordisk. Ele serve para tratar diabetes tipo 2, com doses menores, e não tem indicação para obesidade.

Quem pode usar o Wegovy em comprimido?

A indicação é para adultos com obesidade, ou com sobrepeso e ao menos uma doença associada ao peso. O remédio deve ser vendido sob prescrição médica.

O critério usa o IMC, o índice de massa corporal, que relaciona peso e altura. Segundo a BBC News Brasil, obesidade é IMC igual ou maior que 30. O sobrepeso entra a partir de IMC 27, desde que a pessoa tenha uma doença como hipertensão ou diabetes tipo 2. A Veja Saúde descreve o mesmo corte. Em todos os casos, o remédio deve ser usado junto com mudanças na alimentação e atividade física.

Há também um limite de idade. Por ora, a semaglutida em comprimido só foi aprovada para pessoas com 18 anos ou mais. Já o Wegovy injetável tem indicação para pessoas de 12 anos em diante, informa a Veja Saúde.

Qual a diferença entre o comprimido e a caneta?

A principal diferença é a rotina: o comprimido é diário e tomado em jejum, e a caneta é aplicada uma vez por semana. A dose e as regras de uso também mudam.

Ponto de comparação Caneta (Wegovy injetável) Comprimido (Wegovy pill)
Frequência Uma aplicação por semana Um comprimido por dia
Dose de manutenção 2,4 mg por semana 25 mg por dia
Idade indicada A partir de 12 anos A partir de 18 anos
Cuidado no uso Sem exigência de jejum Em jejum, com pouca água; esperar 30 minutos para comer, beber ou tomar outros remédios

A dose do comprimido é maior porque o sistema digestivo destrói uma parcela grande da substância antes que ela alcance a corrente sanguínea, explica a BBC News Brasil. O tratamento começa com 1,5 mg. A dose aumenta em etapas, com 4 mg e 9 mg no caminho, até o patamar de 25 mg.

Quem usa a caneta pode passar para o comprimido, e o contrário também vale, quando o médico considerar adequado, segundo a Anvisa citada pela BBC. A Veja Saúde avisa que a dose do comprimido não tem equivalência “1 por 1” com a caneta. Por isso, a troca exige orientação médica específica.

O que mostram os estudos sobre o comprimido?

A aprovação se baseou principalmente no estudo OASIS 4, que mediu perda média de 13,6% do peso corporal em 64 semanas. No grupo que recebeu placebo, a perda foi de 2,2%.

O estudo saiu na revista The New England Journal of Medicine e reuniu 307 adultos sem diabetes. Eles tinham obesidade, ou sobrepeso com alguma doença ligada ao peso. Quase um terço de quem tomou o comprimido perdeu 20% do peso ou mais, segundo a BBC News Brasil. A Novo Nordisk diz que o resultado é parecido com o da caneta de 2,4 mg.

Os efeitos mais frequentes foram digestivos, como náusea e diarreia. Eles apareceram em 74% de quem usou o comprimido e em 42% do grupo placebo, em geral com intensidade leve ou moderada. Interromperam o tratamento por efeitos adversos cerca de 7% dos participantes do grupo do remédio e 6% do grupo placebo.

Esses números vêm de um estudo e não indicam o resultado de cada pessoa. Só o médico avalia indicação e riscos no seu caso.

Quando o comprimido chega às farmácias e quanto vai custar?

Ainda não há preço nem data de lançamento no Brasil. Antes de vender, a empresa precisa de um preço máximo definido pela CMED.

A CMED é a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Ela é ligada ao governo federal e define o preço máximo de todos os medicamentos vendidos no país. A BBC News Brasil questionou a Novo Nordisk sobre já ter solicitado o preço, mas não teve resposta até a publicação.

Sobre o prazo, as fontes divergem em detalhes. Em nota, a empresa disse que o comprimido deve chegar às farmácias “nos próximos trimestres”, segundo a BBC. O Bahia Notícias informa que a fabricante prevê o próximo trimestre, dependendo da definição de preços.

No exterior, o comprimido já está à venda:

  • Estados Unidos: aprovado pela FDA em dezembro de 2025, com vendas desde 5 de janeiro.
  • Emirados Árabes Unidos: primeiro país fora dos Estados Unidos a vender, em junho.
  • Reino Unido: aprovado em junho, com vendas em farmácias privadas desde julho. O sistema público britânico, o NHS, ainda não oferece o remédio.
  • Alemanha: primeiro país da União Europeia a vender, desde 1º de setembro.

Nos Estados Unidos, quem paga do próprio bolso gasta entre US$ 149 (R$ 816) mensais na dose inicial e US$ 299 (R$ 1,6 mil) nas doses mais altas, conforme a BBC. Esses valores não indicam o preço que será fixado no Brasil.

O mercado também pode ganhar concorrência. A Veja Saúde informa que a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), já pediu à Anvisa o registro do orforglipron, seu comprimido. A BBC lembra ainda que a patente da semaglutida caiu no Brasil em 20 de março.

O que muda para você

Na prática, nada muda hoje: o comprimido ainda não está à venda e não tem preço definido no Brasil.

O que você pode fazer agora:

  • Converse com seu médico se você usa caneta ou pensa em iniciar um tratamento. Só ele indica remédio, dose e troca.
  • Acompanhe a definição do preço máximo pela CMED. Ela vem antes de qualquer venda.
  • Pergunte ao seu plano de saúde. Nenhuma das fontes informa se planos de saúde vão cobrir o comprimido. A regra vale para o seu contrato, e só a operadora responde.

A Adore é corretora e não cobre, autoriza nem reembolsa medicamentos. Nosso papel é comparar planos, explicar o contrato e acompanhar você quando surgir uma dúvida como essa.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde. Coberturas, carências e condições dos planos valem conforme o contrato e a regulamentação da ANS. A Adore Saúde é corretora: compara, negocia e acompanha planos, mas não é operadora e não autoriza procedimentos nem reembolsos.